Junta de Freguesia de Ortigosa Junta de Freguesia de Ortigosa

História

A história de Ortigosa remonta essencialmente ao século XII, quando o rei D. Sancho I deu o primeiro impulso no povoamento de Leiria.  A origem da colonização nesta região remonta ao século XIII durante o reinado do rei D. Dinis, de cognome o “Rei Lavrador” que depois do enxugo dos pauis do Ulmar de forma a fixar as gentes à terra, concedeu a garantia da sucessão das propriedades.


Este rei interessou-se bastante pelo desenvolvimento agrícola das terras designadas “de Vlmar" ou "Ulmar”, tendo tomado importantes medidas como as obras de arroteamento. Essas obras de enxugo dos extensos pauis do Ulmar, transformaram charcos insalubres e matagais improdutivos em frescos prados e bons campos de cultura, que ainda hoje se estendem ao longo das duas margens do rio Lis, de Leiria até à foz.


A influência do Campo na história desta freguesia de Ortigosa é evidente, denotando a importância que tiveram outrora os lugares de Mato d’Eira, Ruivaqueira, Lagoa e Casal, situados num planalto sobranceiro ao Vale do Lis, levando a crer que a fixação das pessoas se deu de Poente para Nascente, do campo para a beira da estrada. No campo havia boas terras de amanho, água para rega, peixe no rio e nas valas, aves com grande valor cinegético, para além de o próprio Rio Lis ter servido, ao longo dos séculos, como polo aglutinador dos interesses económicos das várias comunidades ribeirinhas.

Ainda hoje, os férteis Campos do Lis como são conhecidos, se estendem ao longo das margens do rio, desde Leiria até à foz na Vieira.


Outra importante medida de D. Dinis foi a plantação do “Pinhal d’El Rei”, atual Mata Nacional de Leiria, que permitiu proteger os campos agrícolas dos ventos marítimos e das areias do litoral. De “assinalar a importância que o facto teve na economia do país e na época das Descobertas fornecendo madeiras e lenhas”.

No Couseiro a freguesia do Souto da Carpalhosa, à qual a Ortigosa pertenceu, vem referida como fazendo parte em 1218 do bispado de Coimbra, e anexada ao bispado de Leiria por altura da sua criação em 1545. Ao enumerar as suas ermidas menciona que na Ortigosa existia a ermida de invocação de Santo Amaro erguida em 1610 pelos devotos, onde se fazia uma romaria e festa anual em 15 de janeiro. Esta festividade perdurou até aos nossos dias reunindo muitos habitantes da freguesia e das aldeias vizinhas.

No interior da capela, destaca-se naturalmente a imagem em pedra de Santo Amaro, datada do século XVII. Entre 1830 a 1876, por iniciativa de Manuel Maria do Santíssimo Rosário, a capela foi ampliada com uma nova sacristia, aumentou-se o corpo, construiu-se mais uma torre e mandou-se executar os altares e os retábulos dourados.


Santo Amaro, o santo padroeiro da freguesia, era conhecido pelas suas curas de verrugas e cravos. Muitas pessoas faziam promessas com uma determinada quantia de milho, se o santo lhes fizesse desaparecer aquelas inestéticas deficiências cutâneas. A romaria e festa já então eram constituídas por uma procissão com andores de ofertas, sendo também conhecida pelos pinhões, passas e bolos de roda, bem como pelo café, uma vez que antigamente junto ao muro que circundava o adro da igreja várias mulheres faziam café em cafeteiras ou “chocolateiras” de barro para vender aos romeiros, naquelas noites bem geladas de inverno.

Também se venerava e continua venerando o Santo António. O Couseiro menciona ainda uma outra ermida, de invocação de Nossa Senhora da Victória em Riba d’Aves, construída na época do bispo D. Fr. António de Santa Maria (1616-1623).  

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